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Presidente da AMM fala sobre escassez de recursos e preocupação com casos da Covid-19 em entrevista à Itatiaia

“O nosso estado tem dimensões e diversidades geográficas, climáticas, muito grandes. É um país o nosso estado. Então, o programa Minas Consciente veio estruturando para a gente saber como trabalhar com essa doença (Covid-19), alinhado com o que temos no sistema de saúde, que é em rede. Eu, em Moema, dependo da cidade vizinha, que é polo da micro; que depende de outra cidade maior, que é polo da macro de Saúde; e que depende de toda a estrutura do Estado. Se fosse um problema local, aqui de Moema, eu resolveria. Poderia até pedir apoio ao governo estadual e ao federal, mas eu iria resolver, por ser um problema local. Entretanto, estamos enfrentando um problema geral, que necessita de um comando do poder central do País, disseminado pelo governo estadual e aplicado pelos governos locais. Deixar isso solto nos deixa sujeitos a intempéries que, depois, ficará difícil resolver.” A afirmação é do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), primeiro vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e prefeito de Moema, Julvan Lacerda, durante entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia, nesse domingo (7).

A pauta da entrevista partiu do aumento de casos de coronavírus no Estado de Minas Gerais, nas últimas semanas, sobretudo do número de municípios que já contabilizam pessoas contaminadas com a Covid-19. De acordo com o Informe Epidemiológico do coronavírus desta segunda-feira (8 de junho de 2020), até o momento, foram notificados 15.883 casos confirmados de infecção humana pela Covid-19, em mais de 500 municípios de Minas Gerais, com registro oficial de 380 mortes.

Julvan Lacerda enfatizou que o interior do Estado não está preparado para a doença. “Por mais que tenhamos reforçado nosso sistema de saúde, ninguém está preparado para esta doença. Não há especialista de coisa indefinida. Nós aumentamos o número de respiradores, compramos remédio, capacitamos equipes, mas isso não quer dizer que estamos preparados, porque enfrentamos um inimigo que não conhecemos”, frisou o presidente da AMM.

Questionado sobre os recursos direcionados aos municípios, Julvan Lacerda enfatizou que o Estado está cumprindo o acordo, quitando as parcelas dos débitos anteriores e pagando os repasses constitucionais em dia. “No enfrentamento da pandemia, a gente entende que está deixando um pouco a desejar; poderia assumir mais a liderança neste momento. Eu falei com o governador, não estou fazendo uma crítica a ele, mas ao modelo que poderemos aprimorar. Ele ouve essas opiniões, por ser uma pessoa aberta. Qualquer um que estivesse lá estaria sujeito a ter essa dificuldade, por ser um momento novo para gente. Mas, gostaria que o Estado estivesse conosco, pois sabemos que há subnotificação. Em Moema, fomos de três casos para 19 e no boletim constam dois; e nós informamos no sistema.”

O presidente da AMM salientou, ainda, que o socorro emergencial do governo federal é do cidadão. “O dinheiro foi para lá pela forma do desenho do bolo tributário, que determinou que a maior parte do dinheiro vá para lá. Então, quando a Presidência da República determina um socorro aos estados e municípios, está devolvendo ao cidadão o dinheiro que é para prestar o serviço público para ele. E esse dinheiro ainda não chegou, apesar da arrecadação ter caído”, reforçou Julvan Lacerda.

Confira a entrevista na íntegra aqui.