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Emater e Epamig publicam nota técnica sobre a qualidade da água do Rio Paraopeba após rompimento da barragem em Brumadinho

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) publicaram a Nota Técnica 001/2019/Detec/Dirte/Emater-MG, no dia 29 de janeiro de 2019, com recomendações às comunidades rurais quanto ao uso da água em atividades agropecuárias e domésticas. As orientações são referentes à captação de água ao longo do rio Paraopeba e seus afluentes, após o desastre ocorrido no rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho.

Conforme atestam os técnicos das entidades, com o rompimento da barragem, os mananciais foram diretamente atingidos pelo rejeito, que pode conter contaminantes químicos, físicos e biológicos impróprios para o uso humano, dessedentação de animais e uso agropecuário. “Além disso, a existência de corpos humanos e animais em processo avançado de decomposição podem impactar gravemente a saúde das pessoas que porventura entrem em contato com esta água”, diz trecho da nota.

Os técnicos salientam, ainda, que outro aspecto a ser destacado é a quantidade de sedimentos, partículas e sólidos em suspensão existentes na água, que foram significativamente aumentados, prejudicando e impedindo a utilização de equipamentos de captação de água e irrigação, além dos prejuízos aos peixes e outros organismos aquáticos.

Laudo

Os resultados que serviram de base para a análise estão no Informativo n° 1, informativo diário dos parâmetros de qualidade das águas nos locais monitorados ao longo do rio Paraopeba, de 28 de janeiro de 2018. Dos parâmetros constantes deste informativo – turbidez, cor verdadeira, oxigênio dissolvido e condutividade elétrica – chama a atenção a turbidez que chegou em níveis elevados. A referência para turbidez é de 100 UTN para dessedentação de animais e para irrigação. Entretanto, os níveis de turbidez chegaram a 63.700 UTN (637 vezes o nível permitido para irrigação de forrageiras e pastagens, sendo que, para irrigação de hortaliças ou frutas consumidas cruas, a turbidez não pode ser maior do que 40 UTN), e no nível mínimo em 1.105 UTN, impróprio para qualquer uso.

Segundo o informativo n° 1, entre os dias 26 e 28 de janeiro de 2019, a medição da turbidez feita pela COPASA, a 19 km à juzante do acidente, caiu de 63.700 para 7.200 UTN. Apesar, da queda significativa, permanece em 72 vezes o nível máximo aceitável para uso.

Na conclusão do parecer, os técnicos alertam que a água do rio Paraopeba não deve ser usada para agricultura, dessedentação de animais e para irrigação, até que os níveis voltem a 100 UTN, no que tange à viabilidade técnica e científica. É importante também ampliar as análises para verificar se há presença de elementos tóxicos na água (metais pesados, originalmente provenientes das rochas, que podem estar presentes, e produtos químicos usados no processamento do minério).

Mais informações com o assessor do departamento de Meio Ambiente da AMM, Licínio Xavier, pelo telefone (31) 2125-2418.

Foto: Lucas Hallel/Ascom Funai.

Publicado em 31 de janeiro de 2019.