Home > Comunicação > Notícias > Caminhos para superar a crise e retomar o crescimento do Brasil

Caminhos para superar a crise e retomar o crescimento do Brasil

Ministrada pelo jornalista Merval Pereira, apresentação abordou aspectos políticos, econômicos e a importância da participação dos municípios para transformação do País

Os desafios impostos pelo atual cenário político e econômico brasileiro pautaram o debate da palestra magna do segundo dia do 34º Congresso Mineiro de Municípios (10 de maio). A apresentação, conduzida pelo jornalista Merval Pereira, focou no momento de ruptura vivido no País, motivado, principalmente, pela Operação Lava-Jato, que vem desmontando antigas práticas de corrupção do governo no âmbito federal. Segundo o palestrante, a crise ética e moral, somada às sucessivas quedas do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) e ao desequilíbrio fiscal revelaram hábitos ilícitos enraizados na nossa cultura e reforçaram a necessidade das reformas que estão sendo feitas. Ele abordou ainda os riscos da polarização ideológica que paira sobre o País e a importância de os municípios atuarem no sentido de estimular uma nova forma de se fazer política.

Apesar da recessão que o Brasil ainda atravessa, o palestrante avaliou que o cenário que desponta é animador. Segundo ele, o projeto atual do governo federal é inteligente e será essencial para se alcançar o equilíbrio das contas, ponto-chave para a retomada do crescimento e para a geração de empregos. “As reformas trabalhista e da previdência, ainda que encontrem certa resistência, precisam ser aprovadas, cenário bem provável, já que o governo consegue negociar com o Congresso. Assim, os investidores voltarão gradativamente ao País. Caso isso não aconteça, a crise se agravará e terá repercussões políticas profundas. O mundo mudou e a legislação precisa ser readaptada para acompanhar”, afirmou Pereira.

O jornalista também fez uma análise aprofundada das políticas sociais implementadas nos últimos anos pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e apontou algumas falhas. “Na primeira gestão do PT havia uma preocupação em manter as contas equilibradas. Já na segunda, o foco da gestão foi a geração de riquezas por meio de gastos sociais, o que foi um equívoco, pois causou instabilidade no País. O que gera riqueza são os investimentos estruturais”, reforçou.

Brasil polarizado

As eleições de 2014 foram apontadas por Pereira como o início da polarização ideológica que tomou conta do País. De acordo com ele, isso é um risco para o futuro, especialmente com a votação de 2018, uma vez que, até agora, não há um grande nome para o pleito que seja capaz de pacificar e unificar o País. “Eleger figuras políticas com ideias radicais e extremistas é uma tragédia anunciada. Temos que buscar a conciliação para superar obstáculos”, ressaltou o palestrante.

Além da possibilidade de agravamento da crise política e econômica do Brasil, caso as reformas estruturais não sejam feitas, há, ainda, o risco de cassação da chapa “Dilma-Temer”. Isso levará às eleições indiretas, aumentando ainda mais a instabilidade que já atinge boa parte das instituições brasileiras. Merval reforçou que o período atual é ideal para reformular a política, e os municípios possuem papel fundamental nessa retomada. “O Brasil precisa reproduzir o que acontece em vários países, como a gestão municipal conjunta e compartilhada de áreas como educação e segurança pública”, sugeriu.

Confirmando a visão do palestrante, o prefeito de Jacutinga, Melquiades de Araújo, corrobora a necessidade de enxergar a política sob um novo olhar. “Precisamos pensar em aplicações e metodologias inovadoras, em fazer uma reciclagem que começa com os prefeitos. Na minha cidade, por exemplo, nós derrotamos trinta anos de política e implementamos um governo descentralizado e de participação”, declarou.

Fotos: Rosane Gonçalves.
Publicado em 11 de maio de 2017.