Home > COMUNICAÇÃO > Notícias > Brasil pretende erradicar hepatites virais até 2030

Brasil pretende erradicar hepatites virais até 2030

Disponível no SUS para pessoas de todas as idades desde 1998, a vacina é a melhor forma de evitar a Hepatite B, que não tem cura

Grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, as hepatites virais, caracterizadas por provocarem inflamações no fígado, causam lesões no órgão que podem levar à morte por cirrose e câncer hepático. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 325 milhões de pessoas vivem com as hepatites virais B e C – os tipos mais prevalentes no Brasil – e, deste total, aproximadamente 1,4 milhão de mortes ocorrem, anualmente, por complicações.

Em 2016, a OMS elaborou documento para estabelecer estratégias globais de eliminação das hepatites e o Brasil assumiu compromisso de erradicá-las até 2030. Neste esforço, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) está ampliando o diagnóstico da doença por meio da implantação da testagem rápida nas Unidades Básicas de Saúde, proporcionando o tratamento em tempo oportuno, além de intensificar as ações de vigilância epidemiológica do agravo.

Disponível no SUS para pessoas de todas as idades desde 1998, a vacina é a melhor forma de evitar a Hepatite B, que não tem cura. Para crianças, a recomendação é que a vacina pentavalente seja ministrada em quatro doses: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de vida. “Já para adultos o esquema completo se dá com aplicação de três doses. Para a população imunodeprimida (com o sistema imunológico afetado) deve-se observar a necessidade de doses ajustadas, disponibilizadas nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais”, explica a coordenadora Estadual do Programa de Imunizações da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Josianne Dias Gusmão. Segundo ela, no caso de a pessoa não ter certeza de já haver tomado todas as doses, o ideal é buscar uma Unidade Básica de Saúde para iniciar a vacinação. No caso de mãe portadora de Hepatite B, o bebê deve receber, também, imunoglobulina.

“Em 2018, a Hepatite B foi responsável por 32,8% dos casos de hepatites notificados no Brasil e está relacionado a 21,3% das mortes relativas às hepatites entre 2000 e 2017. Na maioria dos casos não apresenta sintomas e, muitas vezes, é diagnosticada décadas após a infecção, com sinais já relacionados a outras doenças do fígado”, explica a coordenadora do Programa de Imunizações da Secretaria de Saúde.

Enquanto a Hepatite viral B é classificada como infecção sexualmente transmissível, a Hepatite C pode se manifestar na forma aguda ou crônica e é transmitida pelo contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de agulhas, seringas e materiais de manicure. “A diferença entre a Hepatite B e a C é basicamente a forma de transmissão”, avalia a coordenadora de Infecções Sexualmente Transmissíveis/Aids e Hepatites Virais da Secretaria da SES-MG, Mayara Marques de Almeida. “Sem apresentar sintoma, a doença evolui sem diagnóstico e tratamento oportunos. Esse avanço da infecção pode levar ao transplante de fígado. Em alguns casos pode evoluir para óbito.”

Os testes rápidos para a detecção da infecção pelos vírus B ou C também estão disponíveis no SUS e, de acordo com Mayara, todas as pessoas precisam ser testadas pelo menos uma vez na vida para esses tipos de hepatites. Populações mais vulneráveis precisam fazer testes periodicamente. Para a Hepatite C há medicamentos que permitem cura. “A oferta de teste rápido proporcionou a ampliação do diagnóstico das hepatites virais, favorecendo o tratamento com resultados que reduzem a morbimortalidade. Em relação ao tratamento, o acesso a medicamentos seguros e com baixos efeitos colaterais diminui a transmissibilidade da doença”, avalia Mayara.

Prevenção 

  • Usar preservativo nas relações sexuais.
  • Exigir materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagem e de piercings.
  • Não compartilhar instrumentos de manicure e pedicure.
  • Não usar lâminas de barbear ou de depilar de outras pessoas.
  • Não compartilhar agulhas, seringas e equipamentos para uso de drogas.

Populações vulneráveis 

  • Gestantes, após o primeiro trimestre de gestação.
  • Pessoas com doenças sexualmente transmissíveis (DST).
  • Bombeiros, policiais civis, militares e rodoviários.
  • Carcereiros de delegacia e de penitenciárias.
  • Coletadores de lixo hospitalar e domiciliar.
  • Doadores de sangue.
  • Pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, entre outras).
  • Manicures, pedicures e podólogos.
  • Populações de assentamentos e acampamentos.
  • Indígenas.
  • Potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos.
  • Profissionais do sexo/prostitutas.
  • Usuários de drogas injetáveis, inaláveis e pipadas.
  • Caminhoneiros.

Mais informações no departamento de Saúde da AMM pelo telefone (31) 2125-2433.

Fonte: SES-MG.