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Pré-candidatos ao Governo de Minas apresentam propostas em painel durante 35° Congresso Mineiro de Municípios

Ainda não foi aberto o período de campanha eleitoral, mas a linha de governo dos pré-candidatos já está sendo analisada pelos eleitores e os representantes do povo. No painel dos pré-candidatos ao Governo de Minas, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) durante o 35° Congresso Mineiro de Municípios foi marcado pela ponderação dos sete aspirantes ao comando do Estado.

A profissionalização da gestão estadual é, para Romeu Zema (Novo), primeiro a discursar no dia, um dos pontos que devem ocorrer na próxima gestão para que sejam sanados os problemas que têm impactados municípios e servidores, com atrasos nos repasses e nos pagamentos. “Temos um funcionalismo público muito capacitado em Minas Gerais, mas sabemos que há muitos abusos, principalmente daqueles que estão em cargos mais elevados.”

Zema também disse, no discurso, ser favorável à manutenção da alocação de recursos pelo Estado ao transporte de alunos de escolas das áreas rurais, por meio do Programa Estadual de Transporte Escolar (PTE/MG), apesar de reconhecer que o Estado precisa reduzir despesas. “O dinheiro deveria ser cortado de outras formas. O Palácio das Mangabeiras, por exemplo, deveria deixar de ser um museu de privilégios. O governador deveria fazer como o prefeito ou vereador, ou seja, morar na sua própria residência. Por que precisa de um palácio para governar?”, questionou.

Pré-candidato do MDB ao governo de Minas e vice-governador do Estado, Antônio Andrade (MDB), que rompeu com Pimentel em 2016, e, desde então, não participa das decisões da cúpula do Palácio Tiradentes, avalia que há “vários governos” dentro do Estado, o que leva ao desmando e à falta de alinhamento entre as secretarias e o principal mandatário do Executivo de Minas. Sobre o parcelamento e o atraso nos pagamentos dos servidores estaduais, Andrade disse que salários são “sagrados” e que isso foi uma das razões que o levou ao rompimento.

Em Minas, o partido de Temer conta, além de Andrade, com o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, e o deputado federal Leonardo Quintão como pré-candidatos. A decisão de quem vai concorrer nas eleições ocorrerá na convenção estadual da sigla, com votações dos cerca de 600 delegados que o partido possui em Minas.

O pré-candidato pelo PSB, Márcio Lacerda, criticou o atual modelo de gestão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Ele acredita que o melhor para a estatal seria a adoção de mais parcerias público-privadas. “A Copasa virou cabide de emprego. Creio que todo o País possui um déficit de saneamento e precisa demais do investimento privado”, declarou o ex-prefeito de Belo Horizonte por dois mandatos.

Lacerda também criticou o repasse (ou a falta dele) do percentual da arrecadação do estado com ICMS e IPVA para os municípios mineiros. “Esse é um dos dramas mais graves que os municípios enfrentam desde novembro de 2017. Isso é apropriação indébita, um desrespeito à lei. Se houver sacrifícios, que eles sejam divididos entre os setores da federação, e não jogado em cima dos municípios”, disse.

O senador Antonio Anastasia, pré-candidato ao Governo do Estado, defendeu uma administração austera, mas criativa, como remédio para a grave crise fiscal que assola Minas Gerais. No entanto, fazer promessas neste momento como pagamento em dia dos servidores do Estado e regularização de todos os repasses aos municípios é, de acordo com o tucano, “completamente irresponsável”. “Acho que qualquer um que tente dar um prazo agora será completamente irresponsável. Até porque não se conhecem detalhes da situação econômica do Estado”, disse Anastasia.

No evento, que teve participação em massa dos presentes no congresso da AMM, o ex-governador defendeu não só a presença das mulheres em um eventual novo mandato, como também critérios para a redução da diferença salarial entre profissionais dos dois sexos e a maior participação feminina em cargos do alto escalão. “Sem discriminação”, sacramentou.

A pré-candidata do PSOL ao Governo de Minas, Dirlene Marques, colocou como necessidade de mudança a inclusão dos movimentos sociais e de base nas decisões governamentais, que são, na visão dela, os verdadeiros representantes da população.

“Acho que os movimentos têm se organizado de forma muito incisiva, porque em todos os locais eles não têm acessos a esse tipo de decisões. As decisões são tomadas em gabinetes, pelas elites políticas e econômicas e você faz a exclusão de todo movimento. Se você quiser construir outro tipo de projeto, tem que mudar a sua base social”, declarou Dirlene.

Saldar as dívidas do Estado com os municípios, decorrente da falta de repasse de parte da arrecadação com tributos, será tarefa árdua para o próximo governador mineiro, avaliou o pré-candidato da Rede, João Batista dos Mares Guia. Parafraseando o estadista britânico Wiston Churchill, o ex-secretário de Educação de Minas Gerais assegurou que isso só será possível com “suor e lágrimas” nos dois primeiros anos de mandato, com uma administração austera, que envolve, entre outras atitudes, eliminação de 25% dos cargos comissionados, fim dos privilégios dos poderes legislativo e judiciário e ajuste fiscal.

Na avaliação dele, para obter êxito no mandato, o futuro governador precisa se sentar à mesa com prefeitos e vereadores, entre outras categorias. “Defendo a organização e, para isso, é preciso discutir assuntos de toda a natureza. As reformas previdenciária e tributária também são essenciais para o crescimento econômico”, avaliou.

Sem meias palavras, o pré-candidato do DEM ao Governo de Minas, Rodrigo Pacheco, afirmou categoricamente que vai, no primeiro dia de mandato, colocar todos os salários atrasados de servidores em dia e regularizar os repasses aos 853 municípios do Estado.

“A principal proposta é colocar o Estado nos trilhos. Pagar o que é obrigação do Estado de maneira imediata. São os salários dos servidores em dia e o repasse aos municípios porque, sem municípios bem administrados, nós não teremos um Estado bem administrado”, declarou. Para isso, o deputado federal disse que vai diminuir o desperdício de gastos do Estado e fomentar o desenvolvimento econômico.

Na avaliação de Pacheco, apesar do desequilíbrio do caixa do Estado, é também obrigação destinar o mínimo de 12% da receita no setor de saúde. “Esse compromisso deve ser cumprido. Assim teremos uma saúde mais eficiente”, ponderou Pacheco durante o discurso no palco principal do evento, no Mineirão.

Confira as fotos do evento aqui (clicando aqui).

Publicado em 20 de junho de 2018.