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Palestra magna aponta caminhos para combater a corrupção no Brasil

 

Tema que permeou inúmeros debates durante o 34º Congresso Mineiro de Municípios, a corrupção também entrou em pauta na palestra magna ministrada pelo sociólogo e escritor Sérgio Abranches, no último dia do 34º Congresso Mineiro de Municípios. O foco da apresentação foi na corrupção sistêmica enraizada no País e como as formas de se fazer política e de fiscalizar atualmente não dão conta de coibir atos ilícitos, apesar dos avanços observados nos últimos anos. Outros pontos abordados foram o papel da imprensa na revelação de escândalos políticos e como se formou um consenso entre a população brasileira, que não está mais disposta a aceitar a corrupção de forma passiva.

Abranches fez um apanhado histórico para mostrar como foi instaurado, por meio da Constituição de 1988, o que ele chama de “presidencialismo de coalizão”. Esse modelo estrutura regras que permitem o multipartidarismo, o que obriga o Executivo a negociar com o legislativo para se conseguir governar. “Ao longo do tempo, a porcentagem de presidentes que conseguiram eleger a maioria do seu partido na Câmara dos Deputados caiu. Dessa forma, se tornou cada vez mais necessário costurar a maioria a partir de acordos com partidos menores para se chegar onde quer”, explicou o sociólogo. Esse quadro também pode ser constatado nos níveis estaduais e municipais.

Avanços significativos

Apesar desse cenário, a Operação Lava-jato foi apontada por Abranches como um importante momento na luta contra a corrupção. Como consequência dessa conjuntura, elevou-se o patamar de risco de crimes políticos e surgiram mudanças que estão atingindo fortemente o setor público. A iniciativa privada também foi impactada no que diz respeito ao financiamento de campanhas eleitorais. “Pela primeira vez, grandes corporações estão descobrindo o peso de se envolver em corrupção. Estão prendendo os presidentes dessas companhias, e não apenas assistentes ou técnicos”, comentou Abranches.

Por outro lado, todas as denúncias de corrupção que estão vindo à tona despertaram na população o consenso de que atos ilícitos não podem ser mais tolerados. Isso tem levado os cidadãos a compartilharem informações em tempo real, principalmente pelas redes sociais, aproximando as pessoas e mobilizando grupos para acompanharem de perto a vida política do País e exigirem mudanças, como a aprovação da reforma político-eleitoral. “A sociedade está digital, mas a política continua analógica, ela precisa se adaptar a essa realidade”, finalizou o palestrante.

Publicado em 12 de maio de 2017.

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