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29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

O Dia Nacional de Combate ao Fumo é lembrado em 29 de agosto e, neste ano, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), dando sequência aos aprendizados com o dia a dia dos atletas dos jogos olímpicos e paraolímpicos, quer mobilizar as pessoas a trocarem o cigarro por uma atividade física regular.

Dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), a promoção da saúde tem como finalidade contribuir para melhoria da qualidade de vida, por meio de políticas públicas que visam o empoderamento das pessoas, de forma a produzir a sua saúde.

Em 2006, o Ministério da Saúde publicou a Política Nacional de Promoção da Saúde – PNPS (PORTARIA Nº 2.446, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2014). No Estado de Minas Gerais, em 2016, a Secretaria de Estado de Saúde construiu a Política Estadual de Promoção da Saúde – POEPS (DELIBERAÇÃO CIB-SUS/MG Nº 2.341, DE 19 DE ABRIL DE 2016), agregando a PNPS as necessidades e prioridades do Estado.

Neste mês de agosto, o projeto Vida Saudável vai falar sobre os males do cigarro, em função do Dia Nacional de Combate ao Fumo (29/08). O tabagismo é uma doença que causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. A dependência, que ocorre pela presença da nicotina, obriga os fumantes a inalarem mais de 4.720 substâncias tóxicas, como monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído e acroleína; além de 43 substâncias cancerígenas, sendo as principais o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. Dessas, o tabagismo é responsável por:

  • 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema);
  • 30% dos diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado);
  • 25% das doenças coronarianas (angina e infarto);
  • 25% das doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).
  • O tabagismo também é um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras doenças, tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.

O consumo de tabaco e seus derivados mata milhões de indivíduos a cada ano. Se a tendência atual continuar, em 2030 o tabaco matará cerca de 8 milhões por ano, sendo que 80% dessas mortes ocorrerão nos países da baixa e média renda.

Como a nicotina age no cérebro

Ao ser inalada, a nicotina presente no cigarro produz alterações no sistema nervoso central, modificando o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e álcool.

Depois que a nicotina atinge o cérebro, o que leva de 7 a 19 segundos, são liberadas várias substâncias (neurotransmissores) responsáveis por estimular a sensação de prazer que o fumante tem ao fumar. Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de “tolerância à droga”. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. Com a dependência, cresce também o risco de se contrair doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte. Cigarros, cachimbos, charutos, cigarros de palha, rapé, fumo-de-rolo, entre outros tantos produtos derivados de tabaco contêm nicotina, todos causando dependência e aumentando o risco de contrair doenças crônicas não transmissíveis.

O tabagismo e a mulher

O tabagismo também é um grande fator de risco para o câncer de colo de útero, aumentando em quase três vezes o risco desse tipo de câncer, e com efeito “dose-dependente”, ou seja, quanto mais se fuma maior é o risco. Além disso, mulheres que fumam de 1 a 4 cigarros por dia têm risco 5 vezes maior de morte por câncer de pulmão, e risco 3 vezes maior de morte por doença do coração do que as mulheres não fumantes.

Os produtos da fumaça do tabaco também interagem com os anticoncepcionais, o que causa um aumento do risco de formação de trombos e de acidente vascular cerebral. As mulheres tabagistas têm 3 vezes mais chance de ter atraso para a concepção (mais que 1 ano) do que as não tabagistas devido à queda precoce das gonadotrofinas e atresia folicular.

Durante a gravidez, o uso de tabaco é fator de risco para o desenvolvimento de chiados e asma na criança, menor desenvolvimento da função dos pulmões, infecções respiratórias e de ouvido, independente da exposição após o nascimento. A exposição de mulheres não fumantes ao fumo passivo durante a gravidez pode causar baixo peso do feto ao nascer e parto prematuro.

Crianças e o tabagismo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em torno de 40% das crianças estão regularmente expostas ao fumo passivo em casa, o que os torna mais propensos a começar a fumar do que os não expostos. Ainda em relação à exposição ao fumo passivo, um dado alarmante: 31% das mortes atribuídas ao fumo passivo ocorrem em crianças. Isso porque o tabagismo dos pais pode provocar doenças no trato respiratório inferior – como bronquite e pneumonia – particularmente durante o primeiro ano de vida da criança.

A exposição ao fumo passivo agrava a asma e também pode causar o aparecimento de novos casos entre as crianças. A otite é outra doença causada pela exposição de crianças ao fumo passivo, sendo responsável por grande número de visitas ao pediatra. Se não for tratada, pode levar à perda auditiva.

Conscientize-se de que deseja parar de fumar porque o cigarro faz mal à sua saúde e a saúde das pessoas com as quais você convive. Reduza o consumo de cigarros, durante uma semana, observando aqueles que você pode eliminar de imediato, como o cigarro após o café, assistindo televisão, ou antes de dormir.

Marque um dia para parar de fumar definitivamente, mas antes compre água, cravo, canela em pau, cristal de gengibre e cenoura. No dia marcado, jogue fora seu cigarro, cinzeiro e o isqueiro. Cada vez que tiver vontade de fumar, tome um ou dois copos de água gelada, e use o cravo, a canela, o gengibre e a cenoura para mastigar nos momentos difíceis.

Faça exercício de respiração profunda: inspire profundamente, segure, contando até cinco, solte o ar pela boca semiaberta lentamente. Faça isso cinco vezes seguidas. Escove os dentes logo após as refeições para bloquear a vontade de fumar. Enfrente cada dia como se fosse o primeiro e siga em frente!

Pratique atividade física

A atividade física é a melhor forma, em curto prazo, de desviar o desejo pela nicotina. Quando vier o desejo de fumar, levante-se e comece a se exercitar. Cinco minutos de atividade física de intensidade moderada, como subir e descer alguns lances de escadas, caminhar pelo quarteirão, fazer yoga, entre outras, aliviam o desejo pelo cigarro e os sintomas da abstinência também. Se você puder, faça exercícios durante 45 minutos, pois além de melhorar sua frequência cardíaca, ajudará o seu organismo a reconhecer os benefícios físicos de parar de fumar – como o aumento da função pulmonar – que consequentemente melhorará sua respiração quando você estiver se exercitando.

Razões para parar de fumar

  • O tabagismo é a principal causa evitável de doença e morte.
  • Os fumantes morrem duas vezes mais do que não fumantes.
  • O cigarro é responsável por 75% dos casos de enfisema pulmonar e por 25% dos infartos agudos do coração.
  • O fumante passivo tem 3 vezes mais chances de contrair câncer de pulmão e há um risco 9 vezes maior de acidente vascular cerebral.
  • A mulher, que começa a fumar antes dos 17 anos, pode ter menopausa precoce e o homem tem predisposição à impotência.
  • O tabagismo é responsável por mais de 20% dos óbitos por doença arterial coronariana em homens com mais de 65 anos e por aproximadamente 45% das mortes nos homens com menos de 65.

Benefícios de parar de fumar

  • A pressão arterial, a frequência cardíaca e a temperatura das mãos e dos pés tendem a voltar ao normal 20 minutos após parar de fumar;
  • Após 8 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue normaliza e o nível de oxigenação no sangue aumenta;
  • Após 24 horas, diminui o risco de um ataque cardíaco;
  • Após 48 horas, as terminações nervosas começam a se regenerar. O olfato e o paladar melhoram;
  • Após 72 horas, a respiração fica mais fácil e a capacidade pulmonar aumenta em até 30%;
  • Após 2 semanas, a circulação sanguínea aumenta e o caminhar torna-se mais fácil;
  • De 1 a 9 meses após parar de fumar, diminui a tosse, a congestão nasal, a fadiga e a dificuldade pra respirar;
  • O movimento ciliar dos brônquios volta ao normal, limpando os pulmões e reduzindo os riscos de infecções respiratórias;
  • Aumenta a capacidade física e a energia corporal.

Síndrome da Abstinência

Algumas pessoas, ao pararem de fumar, sentem os efeitos da Síndrome de Abstinência, que inclui dor de cabeça, tremor, sensação de formigamento nas extremidades, aumento de ansiedade, aumento de apetite, irritabilidade, sensação de tristeza e perda, sensação de estar mais lento e menos concentrado. Veja o que fazer em cada situação:

  • Vontade de fumar: Distraia-se, respire fundo e lembre que a vontade passa.
  • Irritabilidade: Faça exercício de respiração e relaxamento, imagine uma paisagem agradável e viaje. Tome um banho quente.
  • Insônia: Relaxe lendo um livro, tome um banho morno, beba um copo de leite morno. Evite bebidas com cafeína após meio-dia. Caminhe um pouco antes de se deitar. Use roupas confortáveis para dormir. Escureça o ambiente e mantenha-o ventilado. Não faça atividades estimulantes antes de dormir.
  • Aumento de apetite: Prepare um kit de sobrevivência com vegetais picados, frutas e chicletes sem açúcar. Beba água e líquidos (de baixa caloria). Inicie ou intensifique a atividade física.
  • Dificuldade para se concentrar: Simplifique sua agenda por alguns dias. Dê uma caminhada curta, saia um pouco. Beba água e líquidos. Descanse.
  • Fadiga: Procure ter uma boa noite de sono, dormindo o suficiente a cada noite. Tire um cochilo ao longo do dia. Não exija muito de você por duas ou quatro semanas.
  • Constipação, gases, dor de barriga: Beba muito líquido, acrescente fibras a sua dieta como: frutas, vegetais crus, cereais integrais e mude sua dieta aos poucos. Consulte seu médico ou nutricionista.

Fontes: Agência Minas e Vida Saudável.
Foto: Governo do Estado.
Publicado em 29 de agosto de 2016.